
Voar para bem longe. E ficar mesmo aqui.
Sentir o beijo das palavras. O vento a acariciar-me ternamente. A música embalando os meus pensamentos. Parece delicioso. É delicioso. Talvez feérico.
Fecho os olhos por um instante. A imagem escura substituída por um mar que jaz na memória; com um cheiro que aromatiza a alma. Um imbróglio de sensações que parecem tocar suavemente, arrepiar e confortar.
Mas não passa de passado, intensa e mentalmente revivido. Continuas longe ou perto. Não sei. Perdi a noção do espaço. Sei porém que me encontro aqui sentada na penumbra, a pensar no estrangeiro do meu coração, em que de repente te tornaste.
Vem ou volta para mim! Molha-me como a chuva! A água se confundirá com as lágrimas. E todas as gotas eu guardarei preciosamente. Uma lembrança de ti, uma melancolia para mim.
Agradáveis palavras essas de ouvir; de proclamar e sentir. E abraçar e fugir. E voltar!
Na vida que não cessa de surpresas, tu és a minha maior surpresa. Dia após dia, mês após mês, ano após ano, te encontro transfigurado em alguém tão sempre familiar. Abraço-te sem saber quem estou a abraçar. Um desconhecido ou a minha pedra nuclear?! Olho-te e não sei o que me acontece. Como diz o outro, talvez seja feitiço… Manténs-me perto, longe. Presa a ti por muito distante que estejamos.
Cair em ti parece destino. Conhecer-te foi destino. Mas o que é o destino?!
Um sussurrar bloqueia-me os movimentos. Aprazível sussurrar. Leva-me com ele nas partículas serenas do som. Vejo rostos. Não passam disso. Não encontro alguém que me faça lembrar de ti. Não te encontro a ti. Regresso ao meu eu e sorrio. Ouço alguém chamar por mim. Certamente não és tu. Mas sim um daqueles rostos, que carrega o meu sorriso…
Tu também já o carregaste tantas e tantas vezes… Agora recebes uma parte suburbana do meu ser. Sei que é confuso, difícil de entender, mas também não é isso que anseio. Queria simplesmente sentir-me próxima de quem nunca me consigo abstrair.
Proteger-te e acompanhar-te, como o peluche que todas as noites vigia os teus sonhos. Dás-lhe a mão e tranquilamente adormeces…ou choras… Essa lágrima tormentosa, me magoa e estripa, na impotência de mutilá-la do teu rosto. Não queiras que não me sinta mal por não ser sempre o ombro que precisas! Lamento tanto cada lamento calado! Mas com isso fui aprendendo como as palavras são bonitas. Foi contigo que a vida me ensinou muito. Foste tu.